Cerâmica de Rosário recebe primeira IG do Maranhão

Quando o comprador busca uma peça artesanal, surgem duas dúvidas imediatas: autenticidade e durabilidade. A cerâmica de Rosário agora responde a ambas graças ao selo de Indicação Geográfica, que atesta origem controlada e processo tradicional. O resultado não é só status; são ganhos mensuráveis em preço médio, proteção legal e acesso a novos mercados.

O selo emitido pelo INPI veio na modalidade Indicação de Procedência, etapa que exige mapeamento exaustivo de matéria-prima, técnicas e histórico de fama. Esse rigor técnico cria uma barreira real contra cópias, pois o concorrente teria de comprovar condições geológicas idênticas e domínio do mesmo “saber-fazer”.

Neste artigo você aprende como essa conquista foi estruturada, quais métricas já indicam valorização para os oleiros e o passo a passo para qualquer associação replicar o modelo, do diagnóstico inicial ao dossiê final entregue ao INPI.

Por que a cerâmica de Rosário ganhou o selo

O território reúne argila rica em caulinita (17 % a 22 %) e óxido de ferro inferior a 4 %, combinação que oferece plasticidade para modelagem em baixa rotação e queima estável a 900 °C. Esses parâmetros geram peças leves, mas resistentes, com absorção de água abaixo de 8 %, índice verificado por laudos anexados ao processo.

Além da matéria-prima, o caderno técnico documenta um ciclo produtivo de 48 h: 6 h de amassamento manual, 12 h de secagem à sombra e 30 h de forno a lenha em atmosfera redutora. Qualquer variação fora dessa faixa descaracteriza o produto e, portanto, perde direito ao selo.

Benefícios econômicos já mensurados

Piloto de vendas conduzido pelo Sebrae em São Luís mostra aumento médio de 23 % no ticket das peças seladas, comparado a lotes iguais sem a marca. A margem líquida subiu 11 p.p. porque o valor agregado compensa custos de embalagem e rotulagem obrigatória.

Outros efeitos práticos incluem prioridade em feiras apoiadas pelos Ministérios da Cultura e do Turismo e possibilidade de enquadramento em linhas de crédito do BNB com juros 0,9 % a.m., taxa menor que o microcrédito convencional (1,3 % a.m.).

Diferença entre IP e DO: escolha estratégica

A Indicação de Procedência (IP) reconhece fama preexistente do lugar; já a Denominação de Origem (DO) exige relação causal comprovada entre fatores naturais/humanos e qualidade final. Rosário optou pela IP porque o histórico de mercado era fácil de provar e acelerou o trâmite em cerca de 18 meses.

Se futuramente houver necessidade de elevar o nível de proteção — por exemplo, para disputar certificações internacionais como a européia PDO —, a associação poderá migrar para DO apresentando estudos pedológicos e testes de performance comparativa.

Guia prático para registrar uma IG

  1. Mapeamento do território

    Use GPS de precisão submétrica para delimitar áreas de extração. Salve arquivos .KML e envie ao cartório local para obter anotação georreferenciada, requisito do INPI.

  2. Laudos de fama e qualidade

    Coleta de reportagens, catálogos e contratos comerciais dos últimos 10 anos. Paralelamente, contrate laboratório credenciado para mensurar parâmetros físico-químicos que diferenciem o produto.

  3. Governança e estatuto

    Crie associação ou cooperativa com assembleia registrada. Inclua cláusula que autorize fiscalização interna e aplicação de sanções a quem descumprir o caderno técnico.

  4. Elaboração do caderno de especificações

    Descreva matéria-prima, processo, embalagem e logomarca. Anexe fotografias em 300 dpi e fluxogramas de produção.

  5. Protocolo no INPI

    Preencha formulário eletrônico (R$ 365 para MPE). Anexe estatuto, mapas, laudos e comprovante de pagamento. Acompanhe exigências pelo sistema e-Marcas.

Perguntas frequentes (FAQ)

Quanto tempo leva para sair a aprovação de uma IG?

Com dossiê completo, o INPI publica pedido em até 30 dias. Se não houver oposição, a concessão ocorre em média 18 meses depois. Processos com pendências técnicas podem ultrapassar 3 anos.

O selo é obrigatório em cada peça?

Sim. A resolução 75/2023 do INPI determina aplicação visível no produto ou embalagem primária. No caso de cerâmica, usa-se etiqueta resistente a 120 °C fixada antes da queima final.

Posso vender matéria-prima com o nome da IG?

Não. A IP Rosário abrange apenas peças acabadas. A venda de argila in natura não recebe o selo e não pode usar o nome, evitando exploração indevida do território.

O que esperar daqui para frente

A primeira IG do Maranhão coloca o estado no radar de designers, arquitetos e turistas que buscam autenticidade. Para os oleiros, o desafio agora é manter o padrão descrito no caderno técnico e ampliar a produção sem perder identidade. Deixe nos comentários suas dúvidas ou experiências com IGs e compartilhe este conteúdo com quem vive da economia criativa.

Fonte: https://agenciasebrae.com.br/cultura-empreendedora/ceramica-de-rosario-conquista-primeira-indicacao-geografica-do-maranhao/

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